Um Breve Histórico
Profa. Dra. Mara Medeiros
A primeira metade do século XX foi marcante para os costumes, a música e a arte. É possível afirmar que neste período histórico, por questões culturais de grande abrangência, a mulher ocupava um discreto papel na sociedade. Em âmbito mundial, a emancipação feminina caminhava a passos lentos, o que pode ser notado na participação política, uma vez que o direito ao voto foi conquistado em 1934 no Brasil e em 1947 na Argentina.
Goiânia, fundada em 1933 e só transformada em capital em 1942, data do batismo cultural, naquele momento vivenciava a implantação dos seus primeiros órgãos e suas primeiras instituições estatais. Projetada para 50 mil habitantes, no final da primeira metade do século a capital já contava com 40 mil habitantes na área urbana. A população adulta era, em sua maioria, formada por pessoas vindas da antiga capital ou de outros estados, uma vez que a estruturação da nova capital dependia da vinda de profissionais. Nesse caso, as mulheres teriam vindo para acompanhar seus maridos, tanto no caso de secretários e funcionários públicos, como no caso das esposas e filhas de operários e lavradores.
Foi exatamente nesse momento de submissão feminina em nível mundial, que um grupo formado por mulheres de uma esfera mais alta da sociedade desperta para a necessidade de uma agremiação que congregasse mulheres e que lhes permitisse uma atuação social efetiva. É fundado, então, o Clube Social Feminino, reduto em que permitia à mulher, a experiência de ser a “a cabeça do casal”, ou seja, uma situação em que a participação masculina se daria como meros dependentes. É importante ressaltar que no cerne da questão figura a idéia de que não se tratava de uma competição de gênero feminino-masculino, mas uma cooperação, o que fica bastante claro em documentos históricos do Clube.
Em um primeiro momento o Clube não possuía sede e as reuniões aconteciam na residência de uma das fundadoras. A primeira presidente foi Célia Coutinho Seixo Brito, figura proeminente no cenário goiano, professora da primeira escola primária de Goiânia e esposa de Helio Seixo de Brito, então Secretário de Estado da Educação e Saúde, no governo de Jerônimo Coimbra Bueno, 1947-1951.
Foi na administração de Dinorah Leão Pinheiro, terceira presidente do Clube, que, em 26 de março de 1952, aquele grupo de mulheres recebe o Título de Domínio de Terreno para Construção, da Divisão de Terras e Colonização do Estado de Goiaz, cujo Diretor era o Sr. Humberto Ludovico de Almeida. O terreno com uma área de oito mil seiscentos e oitenta e cinco metros foi registrado em cartório no dia 25 de abril daquele mesmo ano.
Dentre os documentos que compõem a historia do nosso clube encontra-se também um contrato de construção das instalações assinado em 24 de março de 1959 por Judith de Bastos Guimarães, nona presidente do Clube, e por Antônio Ferreira que presumimos ser o responsável pela construção. O custo da obra que consta do referido documento é da ordem de um milhão e oitenta e dois mil cruzeiros, divididos em sete prestações que coincidiam com etapas da construção.
Mesmo tendo sido possível levantar em alguns documentos os dados aqui apresentados, consideramos premente o resgate da história oral, diretamente dos personagens envolvidos com a fundação, para fazer jus aos esforços individuais que não constam deste breve histórico de dimensões singelas, cujo objetivo primordial é o de despertar a atenção para a importância da origem histórica para se considerar o presente.
Fonte de Dados
LIMA FILHO, Manuel F; MACHADO, Laís Aparecida. Formas e Tempos da Cidade. Goiânia: Cânone Editoria/ Ed. UCG, 2007.
PALACIN, Luis. Fundação de Goiânia e desenvolvimento de Goiás. Goiânia: Editora Oriente, 1976.
Documentos:
Informativo Social Feminino Ano l no. 03, junho 1983.
Documentos do Clube Social Feminino


